Análise: CD Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3


Após a espinhosa saída de PG, o qual ingressou, posteriormente, em uma carreira solo de relativo sucesso, o trio Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos encontrou, na situação, inspiração para compor um disco sólido, pesado, e ao mesmo tempo sensível e agradável. Lançado em fevereiro de 2005 pela MK Music, Além do que os Olhos Podem Ver é justamente o que os fãs e a Oficina G3 aguardavam após tantos álbuns que, musicalmente, não iam longe.

Ao som dos cães silenciados na Intro, Mais Alto é uma resposta à altura às especulações dos futuros do trio, embalada pelos riffs e contratempos de Réu ou Juiz, numa das performances, até hoje mais complexas de toda a carreira da banda. Ao longo do projeto, as canções não perdem o fôlego, e até mesmo as baladas, como Lugar Melhor e Queria Te Dizer, fogem muito do padrão açucarado de Humanos, o CD anterior.

O guitarrista Déio Tambasco faz papel fundamental em O Fim é só o Começo, com suas viagens bluezísticas, e o baterista Lufe despede-se das baquetas da banda com respeito, como em Através da Porta. Mas Duca Tambasco nunca esteve tão em evidência, com suas linhas de baixo evidentes por todas as canções, o que não ofusca, obviamente, Jean Carllos, e principalmente Juninho Afram, com interpretações vocais que, sem dúvida, não devem em nada ao ex-integrante PG.

A mensagem por trás do álbum é forte, e ao mesmo tempo, muito bem construída. Além do que os Olhos Podem Ver não é um amontoado de faixas, mas um disco que, a cada faixa, constrói uma narrativa totalmente pertinente. É um registro que questiona e toca profundamente nas ocultas e sólidas hipocrisias carregadas inconscientemente pelos cristãos, e propõe o nosso despertar para vivermos a vontade de Cristo. Ao ouvir este trabalho, fica nítido que os integrantes da Oficina G3 aprenderam a lição trazida após tantas situações desagradáveis e difíceis, sendo assim, juntamente com o posterior Elektracustika (2007) o disco mais progressivo de sua carreira.

Confira o nosso guia discográfico sobre a banda Oficina G3 e a nossa lista dos melhores álbuns de 2005.

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4 Comments

  1. […] Além do que os Olhos Podem Ver (MK Music/2005): É o reflexo que, acima de quaisquer outros que passaram pelo grupo, o Oficina G3 sobreviveria muito bem somente com Juninho, Duca e Jean. O trio, que assina quase todas as músicas juntos demonstram maturidade musical e um repertório imprevisível, fortemente influenciado pelo metal progressivo. Com a participação de Déio Tambasco, Lufe e Marcão (ex-vocal do Fruto Sagrado), é a prova que a saída de PG não causou falta alguma. (Nota: ) […]

  2. […] todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais […]

  3. […] causou delírio do público pela forte característica do metal progressivo, já desenvolvido no Além do que os Olhos Podem Ver. Antes de tudo, qual a diferença fundamental entre os dois discos? A mixagem e parte da […]

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