Análise: CD Esperança – Diante do Trono


“Quando estou pronto a desistir, pensando que cheguei ao fim, a tua mão me sustenta, e a tua voz me orienta” – Faixa “Meu Filho Não Temas

O Ministério de Louvor Diante do Trono, em 2004, gravou na cidade de Salvador, o seu 7º disco ao vivo, intitulado “Esperança”. Partindo do principio em esperar e confiar no Senhor, quando as circunstancias são contrarias as nossas vontades e planos, quando nada nos resta além do medo e incertezas. A mensagem crucial do disco está na perseverança em acreditar no Deus Soberano e em suas promessas.

“Eu prefiro estar num deserto e ter o Senhor bem por perto” (Faixa “Tua Presença“)

Entretanto, o CD não se refere somente à “esperança” propriamente dita (o que teria um menor grau de ressonância). Ele nos remete a um lugar abrasador, de secura e também de refúgio: O deserto, a grande metáfora da vida cristã. Há momentos em que Deus nos conduz a esse lugar para nos fazer enxergar e nos provar. Para que não haja divisões, concessões ou retenções em seu reino, e nos trazer a memória de sua grandeza e glória e da total dependência que devemos ter Nele.

Todos conhecem a história dos israelitas que sofriam nas mãos dos egípcios, até que o Senhor, com toda a sua misericórdia, os livrou, guiando-os pelo deserto, conforme descrito em Êxodo.  No livro Deuteronômio, Moises fez um discurso, comparando o cuidado que Deus teve com os israelitas no trajeto do deserto, como um pai que carrega o seu filho.

 “Quando tua presença vem, tudo se transforma” (Faixa “Quando a tempestade vem“)

Já no capítulo 2 do livro de Oséias, Deus (alternando entre advertência e restauração) conclama para que Israel voltasse a Ele. O Senhor voltaria a tirá-los do “Egito” (assim como descrito em Êxodo) e colocaria em um novo deserto, onde iria guiá-los e restaurar plenamente. Mas dessa vez (ao menos no livro de Oséias) o Egito, representa o pecado. E o deserto, um lugar de simplicidade, libertação, prova e benção.

Nesse deserto, o Senhor colocou obstáculos e dificuldades nos caminhos dos israelitas, mas não foi algo que desse lugar ao desânimo, à derrota e à frustração. O objetivo não foi para os fazerem parar e desistir da caminhada, mas sim, para que aprendessem que o melhor mesmo é voltarem a Deus, e estar junto a Ele e à sua misericórdia, do que permanecer nas amarguras do pecado.

“E eu pude ver em meio à escuridão, tua presença, tua fidelidade, graça e amor […] Se é na fraqueza do meu ser, que manifestas teu poder, eis-me aqui!” (Faixa “Eis-me aqui“)

E é assim nos dias de hoje.  O “deserto” mencionado diversas vezes na bíblia se tornou também um lugar de amadurecimento na fé. Por sermos pessoas fracas, com justificativas fáceis para nosso comportamento pecaminoso, somos mais uma vez informados no deserto, na língua inconfundível do amor, que Deus está conosco e que Ele é por nós. No deserto há superação de mágoas e ressentimentos, abandono de hostilidades justificáveis e lembranças amargosas. Esquecemos a manipulação, as manobras para ficarmos no poder, as “panelinhas” e a preocupação com nós mesmos.

 “Quando estou só e o choro parece querer chegar. E um sentimento de temor…” (Faixa “Esperança“)

E estar no deserto, além de todos esses benefícios, nos traz a oportunidade de estar sozinho, mas com Deus. Processo chamado de “solitude”. Muitos conhecem o estado da solidão, que é uma dimensão meramente humana, embora em si mesmo não tenha algum significado. Mas na solitude, mesmo estando sozinho, encontramos simplesmente junto com Deus, em Cristo. Um comprometimento existencial em uma relação estreita com a qualidade da nossa fé, além de ser a principal condição para estar presente com Deus. Nas passagens de Mateus 14, Marcos 1, e Lucas 4, é descrita a solitude que Jesus enfrentou em alguns momentos, parar orar e lidar com sua dor pessoal, tendo um único recurso que era seu coração solitário.

 “Tua Presença faz toda a diferença. Tua presença transforma o meu deserto, em um jardim secreto. Lugar de intimidade Contigo”. (Faixa “Tua Presença“)

Do inicio ao fim, o CD menciona o poder de uma Presença, a forte atração de uma Pessoa, o encanto irresistível de Jesus Cristo.  O disco não nos conduz a buscar dom de línguas, de cura, de profecia ou uma grande experiência religiosa e vitoriosa. Mas sim, de compreender de forma segura a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo e o seu cuidado por nós.

Suas canções tende a nos fazer reconhecer o valor de simplesmente se deixar ficar com Deus quando estivermos no deserto, na sua qualidade e soberania, sem nada mais a fazer, e que nesta condição, nada mais importa. Nem o lugar, nem o que está do lado de fora.  Não podemos deixar de manter contato com Cristo, passar um tempo a sós com Deus, qualquer que seja a solidão, a aridez, ou a desolação em que se esteja passando. Pois, não há nada de mais valor para Deus do que a nossa adoração em tempos de sequidão. Temos muita coisa para aprender e absorver na aridez do deserto, desde que estejamos com o Senhor. O esforço humano é como nada, se for comparado ao plano inexorável de Deus, onde quer que estejamos.

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1 Comment

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