Ele fez parte de várias bandas de rock nos anos 80 e 90. Fez parte do Complexo J, e também do Rebanhão. Participando de vários projetos no meio protestante e no meio não-religioso, Murilo Braga é um nome experiente quando se trata de música feita por cristãos. Leia nossa entrevista com o músico, que falou sobre os projetos com a volta do Complexo J, o movimento gospel e seus trabalhos paralelos.


O PROPAGADOR – Antes de tudo, quais sempre foram as suas principais referências musicais? O que você mais gosta de ouvir?

A primeira vez que a música me pegou de jeito eu tinha 11 anos. Um amigo, um pouco mais velho, colocou o disco Help dos Beatles. Aquilo me fez tão bem que não sosseguei até meu pai comprar pra mim… (risos). Ele me deu numa noite de sexta e acordei às 6h pra ouvir sem parar até às 9h. Virei um “beatlemaníaco” e com 12 anos sabia tudo deles, tinha tudo. Depois fui crescendo e descobrindo o som dos anos 60 e 70, décadas onde se criou toda a base do pop e rock. Ouvia Kiss, Led Zeppelin, Peter Frampton, Pink Floyd, Deep Purple, Elton John, Rush. Hoje ainda ouço muito, mas estou mais eclético. Ouço de tudo, menos funk de baile e pagode pop.


O PROPAGADOR – Como se deu a sua entrada no meio musical?

Foi no susto em 1981! (risos) O Rebanhão estava nos primeiros passos e eu fazia parte de uma igreja americana, a Maranatha Ministries (não existe mais). Os pastores trouxeram a cultura do rock cristão e formaram uma banda na igreja, o Novo Começo. Tentei a vaga para o violão, já que o baixo estava ocupado. Fiquei de fora. Marcaram uma apresentação da banda na Concha Acústica da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e o guitarrista não ia aparecer. Ligaram pra mim às presas pedindo que o substituísse. Fui pra lá cheio de medo. Timidez era meu sobrenome (risos). Dispensaram o guitarrista pela falta e assumi o posto. Como era baixista e não sabia solar na guitarra, sugeri o Helio Zagaglia, que depois veio a ser fundador e toca no Complexo J, pra fazer outra guitarra. Dali veio muita história.


O PROPAGADOR – Quando o Complexo J começou nos anos 80, o mercado musical no meio evangélico ainda era incipiente, mas algumas bandas já existiam, como o Rebanhão e Sinal de Alerta. Como foi esta fase de início de sua banda?

Aqui eu peço licença pra responder em duas partes. Pessoalmente, fiz parte da fase inicial do movimento de música cristã pra jovem, pra rapaziada, pra tocar nas praças, praias, points, e ser ouvido. Isso se deu comigo no Novo Começo em 1981 e a maior dificuldade não estava na sociedade. A galera curtia e ouvia música com letras mais livres, falando de Jesus com ritmo pesado, roupas modernas, visual legal e nos aceitava. O problema se dava nas igrejas, especialmente as pentecostais e de linha mais legalista. Qualquer balada eles diziam que era heavy metal. Foi a época em que se pregou demais sobre o rock ser do diabo. Quanta infantilidade… Rolava perseguição. Mas o que nos importava era ver gente saindo das drogas, do vício, sendo feliz com Jesus. Quando entrei no Complexo J em 1989, o rock cristão vivia seu melhor momento, especialmente no número de grupos com oportunidade de mostrar um bom trabalho, especialmente porque nossas referências de composição estavam na chamada “música secular”. Até os 80 eram raríssimos os trabalhos cristãos de qualidade. Destaco o grupo S8 e os Vencedores, ambos vindos da década anterior.


O PROPAGADOR – Na mesma época em que o rock cristão nacional ganhava força com o surgimento de bandas, o meio nacional fervilhava com notáveis e novas bandas, como Titãs, Paralamas do Sucesso, RPM e a Legião Urbana, enquanto ocorria, aqui, o Rock in Rio em 85. Você, como vivenciador desta época, acha que os músicos cristãos que gostavam de rock foram influenciados por este “boom”?

Acredito que sim. O Rock in Rio de 1985 foi disparado o melhor de todos. Foi um ROCK in Rio. Assim como começaram a surgir bandas nacionais que ganharam a mídia, fazendo a festa de uma geração com o bom e velho rock and roll, no meio cristão o Rebanhão foi fundamental pra inspirar outros a montarem trabalhos semelhantes. Aqui vale ressaltar o nome do falecido Janires, o fundador do Rebanhão, que saiu do grupo em 1984, ano que “trocou seus jeans pelas vestes brancas do Senhor” conforme cantou… (risos). Ele era o “Raul Seixas de Jesus”. Um revolucionário na música cristã. Seu carisma era impressionante e levou o grupo a ser conhecido no Brasil todo.


O PROPAGADOR – O Complexo J teve muitas particularidades em relação a maioria das bandas da época, como um vocal feminino (Liza) e por letras bastante atípicas. Essas narrativas e propostas já eram muito claras no início, ou foram se desenvolvendo com o passar dos anos?

Eram naturais. Nada foi programado. A Liza também entrou na música no Novo Começo, também por indicação minha, depois que me efetivaram. Nós estávamos num treinamento de liderança da igreja nos Estados Unidos, e eu a ouvi cantarolando. Falei que ela deveria ser da banda. O pastor concordou que ela somaria no vocal e acabou entrando com o Hélio. O tipo de letras e de sonoridade estão relacionados ao que ouvíamos. O primeiro disco – Solidão, tem canções com elementos de rock progressivo, o que se percebe até o terceiro – Complexo J 3. No entanto, tem um pouco das influências de cada um.


O PROPAGADOR – Alguns músicos cristãos deste período se queixam acerca de desonestidade por produtores de eventos e adjacências. Em algum momento, no Complexo J, aconteceu com a banda?

Eu estou de volta à banda desde o final de 2014, depois de 22 anos. Estive entre 1989 e 1992. Gravei o segundo e terceiro trabalhos (Arte Final – 1990 e Complexo J 3 – 1992). Dá pra responder de forma geral à sua pergunta porque a banda nunca fez exigências financeiras pra tocar. Então, no aspecto desonesto de não pagar o combinado, nada a declarar, porque a gente espera a consciência de quem nos chama e entenda que temos despesas, e consciência tem-se ou não. Mas quando foi preciso viajar, transporte, hospedagens e refeições nunca faltaram.


O PROPAGADOR – Após dois discos lançados, vocês participaram do Programa do Jô. Como se deu esta entrevista e, na época, qual o impacto na carreira da banda?

Complexo J e Jô SoaresA banda estava prestes a lançar o que considero (e parece que dizem ser) o mais marcante trabalho do grupo: o Complexo J 3. Tínhamos um amigo que quis ser nossos relações públicas, e foi ao SBT e deixou o Solidão e o Arte Final na mão do Jô. Alguns dias depois, a produção fez contato dizendo que o “gordo” queria fazer uma entrevista com a gente. Ficamos surpresos e felizes! Na época, o Jô fechava seus programas entrevistando alguém da música, que se apresentava no encerramento. Tudo transcorreu bem, mas rolou um pequeno mal entendido, contornado, mas que nos fez suar de tensão. A produção falou que o tema da entrevista seria “Deus é Real”, nome de uma canção do disco Solidão. Como foi-nos dito que a música era uma sugestão e nós nem tocávamos nos shows, pegamos uma do disco novo, demos “um gás” na passagem de som, e depois que só teríamos como tocar pra valer diante das câmeras, soubemos que não tínhamos escolha: a música não poderia ser outra! Tivemos que “ensaiar de boca” no camarim! “Martinho, a batera faz tum-ta-tchun-ta”…”e Helio, entra o solo depois que o Zé Carlos mandar aquela parte pirauã…pidauê”…”Murilo, marca o baixo pedal”…”Vamos lá, lembra o vocal Liza?…É…Não…Isso!” Foi por aí! rsrs. No final deu tudo certo pela graça de Jesus! Tá no YouTube. O público não entende porque rimos quando o Jô diz: “é Deus é Real que vocês vão tocar, né???!” Hahahaha. Foi importante pra abrir o leque de oportunidades pra tocar. Nós queríamos falar melhor de Jesus no programa, mas estávamos muito tensos com a parte da música no final. O que pode ter atrapalhado um pouco o nível da oportunidade foi que 1992 foi um ano de mudanças intensas.


O PROPAGADOR – Depois, vocês assinaram com a MK Music e lançaram a obra-prima da banda, o disco 3. Inclusive, recentemente, o álbum entrou em nossa lista dos 100 maiores álbuns da música cristã brasileira. Este disco certamente se destaca por ter letras com temáticas mais ousadas e polêmicas e pelos hits que teve. Como se deu a produção deste disco? Alguma composição deste projeto lhe é especial?

É preciso esclarecer um pouco melhor sobre o Complexo J 3. Primeiramente ele foi gravado pela Anno Domini, um selo novo aberto pelo baterista da época, Martinho Luthero. Depois de lançado, ele encontrou problemas com distribuições e divulgação. Nossos melhores divulgadores foram, e ainda são, o público. As pessoas compravam e falavam “uau, que trabalho maneiro!” e assim o disco chegou a ter sua crítica positiva publicada em O Globo pelo jornalista Mauro Ferreira, que tinha nos entrevistado e ao Rebanhão para uma matéria de capa do Segundo Caderno em 1990. Sinto uma grande alegria de ter feito esse trabalho com o grupo. Chegamos a vender 250 discos em 2 noites numa igreja em Santos (SP). Nós éramos os distribuidores… (risos). Em 1993, a formação já havia mudado quando a MK comprou a matriz. Prensou uma quantidade, distribuiu, mas não divulgou. Decidiu gravar um novo trabalho. Com todas essas dificuldades, sem apoio da mídia, praticamente no “ouvi dizer”, o disco é falado até hoje. É comovente vê-lo em 13º lugar dentre todos os trabalhos lançados na música cristã em todos os tempos. Infelizmente, eles nunca se interessaram em lançar em CD.

Sobre composição especial, existe uma composição minha – “Abra Seus Olhos”, composta com outra letra aos 16 anos. Aos 19, no Novo Começo, mudei para a letra gravada e criei uma encenação enquanto cantava. Colocava um roupão preto com uma interrogação na frente e rasgava na estrofe final. Tinha muito impacto no público, e eu poderia contar várias situações diferentes e impressionantes. A mais marcante foi no festival de bandas de rock da antiga “rádio rock”, a Fluminense FM. A gente se meteu no meio de bandas de todo tipo e mandamos rock falando de Jesus. Os malucos ficaram mais malucos me vendo rolar no chão e rasgar o roupão (detalhe: tinha roupa por baixo… rs). O Evangelho é loucura para os que creem. Mas isso é um detalhe. Esse disco soa como um todo. Gosto dele inteiro.


O PROPAGADOR – Após o disco 3, você deixou o Complexo J. Quais foram os motivos da sua saída da banda?

Eu tinha um convite para assumir um culto de domingo à noite na igreja que frequentava. A ideia era que meu visual de cabeludo aproximasse os jovens. O louvor seria mais “barulhento” e eu pregaria. Chamava-se “Giro 180”. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que banda é parecido com casamento, só que mais complicado: não são duas pessoas na busca de entendimento pra andarem juntas, mas 4..5..6..8 pessoas. Nós dialogávamos bastante. Não tivemos nenhuma briga, desentendimento, mas chega um momento em que todos tem razão, só fica complicado equacionar prioridades. Percebi que em alguns pontos eu iria violentar minhas convicções, então conversamos, fiz meu show de despedida, choramos juntos no final, e agora voltamos.


O PROPAGADOR – Quando o Rebanhão passava por profundas mudanças de integrantes, você permaneceu como baixista, com eles, por cerca de um ano. Como se deu a sua entrada no grupo?

A banda estava com Paulinho Marotta no baixo e Pedro Braconnot como integrantes originais do primeiro disco. Paulinho teve um convite de trabalho na área dele (engenharia) fora do Rio de Janeiro e meu nome surgiu em consenso com Pedrinho, que me ligou. Eu havia acabado de pedir pra sair da liderança do Giro 180, porque percebia que meu lugar era na música. Fiquei muito feliz e honrado com o convite. Pedro me falou que o afto de conhecer a banda desde o início, ser amigo da turma, ter as condições técnicas e entender a missão, eu seria o mais indicado. Foi muito bom. Tocar com Pablo Chies, Serginho Batera (depois Wagner Carvalho), Pedrinho, Dico Parente (que cantor de rock!) e Zé Canuto foi um presente. Praticamente um ano depois, a banda teve convite para excursionar pelo nordeste. Eu tinha emprego fixo. Aí foi final da linha.


O PROPAGADOR – Você se lembra, mais ou menos, dos músicos que passaram nesta época na banda ou alguma situação em especial no tempo em que ficou com eles?

Lembro de todos! No Complexo J não houve mudança de membros. Era Martinho Luthero (bateria), eu (baixo, gaita e voz), Marco Salomão (Voz e guitarra), Helio Zagaglia (Guitarra), Zé Carlos Salgado (teclados) e Liza Zagaglia (Voz). Histórias marcantes? Vou acabar com o seu espaço (risos). Pra falar por alto: entrevistas para O Globo e Jô Soares. Tocar no Festival de Bandas de Rock e ser premiada com uma das melhores bandas dentre 100 competidoras (o prêmio era ter uma faixa gravada num disco produzido pela rádio). Tocar na Catedral Metropolitana do Rio, num festival católico, a música “Ressuscitou”, debaixo de um crucifixo de uns 10 metros com Cristo pendurado na cruz foi muito legal (apesar de saber que católicos creem que Jesus ressuscitou também). Ah… e tem coisa que eu não gosto de contar, do tipo “orei pelo cego e ele enxergou” (não rolou isso). Motivo: não sou nem somos NADA. Quem fez e faz qualquer coisa é Jesus. Só contei fatos legais e marcantes pra gente.


O PROPAGADOR – Os anos 90, no rock feito por cristãos, foi muito marcado pelo “movimento” das bandas da Renascer, mas no Rio de Janeiro, além de Rebanhão e Complexo J, tinham outras bandas como o Catedral. Como era a relação de vocês com tudo aquilo que ocorria na capital paulista e com as bandas do Rio?

Era ótimo no princípio de tudo. Com o Complexo J fiz shows grandes junto com o Resgate. Ficamos amigos da formação original do Katsbarnea. Tocamos junto com Oficina G3. Era um tempo ainda “pré-gospel”. Ainda se podia ver amor falando mais alto que o mercado, que a grana, a fama, o glamour.


O PROPAGADOR – O movimento gospel, ocorrido nos anos 90, causou uma intensa mudança no meio musical protestante em geral. Você acha que essas mudanças foram benéficas?

Benefícios só no aspecto de investimentos maiores na infraestrutura de mercado. Passou-se a gravar melhor, se tornou mais profissional o resultado da sonoridade. O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica. A Renascer de Estevam Hernandes, homem de marketing, junto com Toninho Abbud, dono da Gospel Records e publicitário, conseguiu colocar todo mundo que canta música cristã como “gospel”. Gospel Music é um estilo de música americano, logo não pode haver “rock gospel”, “samba gospel”. O que passou a acontecer desde então foi uma mercantilização cada vez maior da música cristã, chegando ao que temos hoje. Minha resposta? Maléficas! Não confundam com malignas! Mudou pra pior. Hoje vemos gente que sonha em ser cantor(a) gospel “pra honra e glória de Jesus” mas eu pergunto se esse sonho se mantém de pé se for pra cantar por amor, ou aceitando ofertas voluntárias. Há igrejas que investem grana nos músicos pra ver se gravam “os levitas” e fazem um CD e um DVD, e “se Deus nos abençoar”, na MK (porque se for no Rio, dá pra garantir que vai tocar na rádio e vai chover convite). Junto com essa onda de fazer sucesso, tem a máquina de “compor sucesso”. Lixo! Letras sem conteúdo, ou mesmo sem sentido ou base no Evangelho! Outro dia ouvi cantarem numa igreja uma letra que dizia “Espírito Santo, ore por mim”. Provavelmente porque diz que o Espirito intercede por nós. Deve ser de algum cantor gospel desses que cobram 10 mil pra cantar 3 “louvores” em playback! Tiago, se eu for falar o que eu sei de malefícios vindos desse gospel que está aí, não paro de falar e de ficar chateado.


O PROPAGADOR – Depois do Rebanhão, quais projetos musicais você tem participado desde então?

Depois do Rebanhão eu fui chamado para uma banda que fez sucesso nos anos 80 junto com Radio Taxi, Blitz, Herva Doce, etc, chamada Grafite. Explodiu em 84 com a música Mamma Maria. O líder fundador havia se convertido e era pastor. Remontou o Grafite cristão. Fui fazer a voz e guitarra-base, mas logo assumi o baixo. Um ano depois, todos cristãos na banda, pensamos que o lugar de ser luz era fora, e que o Grafite deveria lutar pro espaço na mídia secular. Fiquei no grupo até 98. Tim Maia ouviu nosso CD e elogiou. Chegamos a meio passo de estourar, mas a mídia decidiu lançar o axé do Tchan. Fiz um único show solo cristão em 2000, e não prossegui. Voltei para bandas. Ajudei a montar algumas, mas só em 2004 comecei a tocar novamente profissionalmente. Montei bandas-tributo e covers, todas seculares: Vid Versus, The Kalks e desde 2008 toco nos Rockólatras que faz flash back do rock dos anos 60 aos 90. Fiz gravações ao longo do tempo, e no final do ano passado retornei ao Complexo J na proposta de retomar a pegada do Complexo J 3. Também tenho um projeto de power trio pra 2016 com um guitarrista que já tocou no Rebanhão e hoje toca na noite, Chello Freitas, e um batera que gravou com Bruce Dickinson do Iron Maiden.


O PROPAGADOR – Como você vê a música dita gospel atualmente? Em que, talvez, é preciso melhorar?

Eu não vejo nem ouço… e pra ser honesto, nunca fui de ouvir rádio evangélica. O que eu gostava, eu comprava. Nunca curti rádio. Por isso sempre tive muitos discos e tenho CDs, DVDs e mp3s aos montes. Mas pra melhorar a dita “gospel” tem que começar pelo espírito da coisa. Não estou generalizando, porque tenho certeza de que tem gente boa e honesta, mas que vive cercada de corrupção. É preciso OUVIR música de qualidade pra COMPOR melhor. Ler e prestar a atenção em grandes letristas, na poesia, e sair do mantra. Parar de compor música como se fosse ração pra gado: aprende algumas sequências de acordes que mexem na emoção das pessoas, e só alteram a melodia. Encaixam umas letras colocando as palavras-chavão fora de ordem, e está pronto o novo sucesso gospel. É incrível, como dá pra identificar quando é gospel às vezes por um trechinho de 10 segundos!


O PROPAGADOR – Nos últimos anos, tem-se visto a volta de bandas que outrora encerraram as atividades, como o Stauros, a Banda Azul, mais recentemente o Rebanhão, e agora o Complexo J. Como se deu esta reunião de vocês?

Complexo J 2015A banda nunca parou, mas fala-se que depois do Complexo J 3, os novos integrantes deram uma nova roupagem ao grupo, e os fãs da banda gostavam mais da fase anterior. Um fato: os músicos que entraram eram (e são) tecnicamente excelentes. O que eu notei também foi isso: o estilo mudou. Aí o público também muda. Recentemente, a banda estava apenas com os dois membros da formação original, Marco Salomão e Helio Zagaglia, ainda sem novos rumos. Sem saber de nada, comentei com o Helio, que voltaria a tocar na banda com prazer. Pouco depois ele e Marco me chamaram pra conversar e me falaram da gente resgatar a pegada roqueira. Topei e aqui estamos.

Sobre o retorno de bandas antigas, que podemos de chamar do rock cristão brasileiro de base, a explicação é simples. Cresce o número de pessoas com saudade do som que fazíamos, das letras, do bom clima, da ausência de competição pelas luzes, fama. A gente toca coisa de 30 anos atrás e pensam que é coisa nova e gostam! O povão se acostumou com o “gospel” e quando alguém mostra algo mais consistente, acham que “a revolução está começando” (risos). Não. Ela estava ganhando raízes quando o mercantilismo tomou conta.


O PROPAGADOR – O que o público pode esperar desta volta do Complexo J? Terá algum registro de inéditas, ou vocês pretendem apenas se apresentar com o material já lançado?

Por enquanto, estamos apresentando o material já gravado, resgatando o dos 3 primeiros trabalhos que deram a marca mais forte ao grupo, e pra 2016 os planos são inserir novas composições e músicas seculares que são Evangelho puro. Muita gente pelas igrejas não consegue ouvir porque se fecha, mas Deus está falando através de Beto Guedes, Teatro Mágico, Rod Stewart…


O PROPAGADOR – Deixe uma mensagem/recado para os nossos leitores.

Antes de tudo: AMEM!! Jesus disse aos apóstolos: “Vocês serão conhecidos como meus DISCÍPULOS pelo AMOR que tiverem uns pelos outros”. Deus escolheu ser amado no seu próximo. Alguém tem sede? Água pra ele. Fome? Rango! Tá doente, preso? Visita. Tá fazendo tudo pra Jesus. É isso que vai fazer a diferença quando chegar diante dEle.

Pra quem quer ser músico cristão: seja músico. Cristão você já é. Não pense em luzes. Já vi as luzes e a fama. Ilusão. Grana corrompe. Cuidado. Pense no Evangelho e no amor pelas pessoas.

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