Para refletir – A falta de identidade na música gospel brasileira


Hoje o Para refletir vem em tom de desabafo. Sei que muitos já falaram sobre isto, mas mesmo assim quero expressar através deste texto a minha opinião acerca desse assunto.

Tenho, há algum tempo, pensado sobre a falta de identidade da música gospel brasileira, porque não há algo nosso de fato. Atualmente, a esmagadora maioria dos músicos jogam vários estilos dentro do liquidificador, batem e assim nasce a maioria dos CDs do nosso cenário. Um disco lembra o outro, nada de novo nos gêneros musicais e temas das letras. A grande maioria segue apenas uma veia, um fluxo, e quando alguns se arriscam a fazer diferente; são logo taxados de retrógrados.

Confesso que tenho andado bem cansado do fluxo gospel nacional atual; com suas letras repetitivas, melodias que mais se parecem mantras, versões e mais versões, a guitarra exaustivamente em evidência, abafando os outros instrumentos e suas peculiaridades. Me decepciona ouvir a grande maioria dos cantores, mas não porque eles cantem mal, mas, sim, por letras e melodias lamentáveis em suas obras. Infelizmente, devemos admitir: seguir a moda é o que gera renda e sucesso atualmente.

Além disso, acho que, em toda a história da música gospel nacional, até aqui, nunca tivemos tantas heresias cantadas. E, o pior não é isso: é perceber que as igrejas as estão repetindo, achando que está tudo bem. Se lêssemos mais a Palavra e tivéssemos um pouco mais de responsabilidade bíblica, duvido de que certas canções seriam entoadas em nossos cultos religiosos.

Sinto falta de compositores como Paulo Cézar, do Grupo Logos, e de canções como “Autor da Minha Fé“, que tem letra e melodia simples, mas que sua profundidade, em termos bíblicos, possibilitou que fosse entoada por mais de 30 anos ininterruptamente. Meu coração anseia por grupos de louvor como o Koinonya de Louvor, que fazia música congregacional de verdade, e que marcou a Igreja brasileira sem precisar de tantas repetições em seus refrões ou até mesmo apelar para o emocionalismo fajuto.

É lamentável perceber a que ponto chegou a nossa música. Outro problema é que, atualmente, é quase impossível pegar um CD sem que tenha uma música versionada, chegar nas igrejas e perceber que os cultos estão recheados de modismos musicais e que até os trejeitos são uma imitação forçada dos “ídolos” gospel.

Definitivamente, o gospel nacional virou clichê, e precisa urgentemente de uma reforma à luz das Escrituras para que possa melhorar. Eu sei que a mudança é necessária, que o novo é legal, mas aí mora o problema: a mudança e o novo agregam, nunca destroem, diferentemente do que tem acontecido conosco.

Onde estão os cantores de bossa nova? Quem tem se importado em cantar a ciranda de coco? Por que não gravam músicas em ritmo de chorinho? Nós, brasileiros, somos tão ricos ritmicamente falando, temos tanta gente talentosa espalhada por aí, mas temos caído na mesmice e permitido que os “ídolos” importados ditem as regras pra nos escravizar, como bem diria o cantor João Alexandre.

Quero apenas falar sobre isso, porque não quero nem entrar no mérito do descompromisso missional dos artistas da música gospel. O meu desejo é que o Senhor da seara levante gente boa de verdade, que tenha compromisso genuíno com as Verdades da Palavra de Deus e que produzam bons materiais para que os nossos ouvidos voltem a ouvir o que realmente agrega, ao invés de os sujarem com a lixaria produzida atualmente.

Que Deus, em Jesus, continue nos abençoando na caminhada de fé, graça e amor.

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