Para refletir – Só sabe quem vive


Quando era mais novo, costumava dizer, sem pensar, que só sabe quem vive. E confesso que esta frase fazia sentido para mim, mas não com a profundidade que merece ser levada. A medida em que os dias passam, noto o sentido que isso tem.

Sabemos que cada pessoa tem suas dificuldades e problemas a lidar. Mas, mesmo nos compadecendo da situação alheia, somente quem as vive sentirá, com total força e amplitude, os limites daquilo. Certamente, quem não é judeu pode se sentir horrizado com o holocausto. No entanto, um judeu de fato sentirá o peso de ver que algum de seus antepassados pode ter sido morto durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, apenas um deficiente saberá o desafio que é viver a cada dia procurando superar os seus limites, ou, na medida do possível, contorná-los. O raciocínio parece ser bem simples. Mas, na prática, muitos de nós temos imensa dificuldade de entender.

Ocorre que, em convívio com as demais pessoas, a compreensão se torna fundamental. Não é apenas um desafio cristão, mas de todos, seja qual a crença (ou a falta dela). Procurar, ao menos, entender e dar legitimidade as causas e dificuldades de outros indivíduos é uma atitude necessária e é a manifestação de amor.

No contrário, é o que vemos quase todos os dias: o preconceito se torna arma mortífera na mão de certas pessoas. Palavras e atitudes podem não causar lesões físicas, mas as palavras perfuram a alma. O exercício da discriminação, seja qual ela for, traz marcas pesadas ao discriminado. Por isso, é necessário que nos preocupemos menos com a legitimidade de certas causas e amarmos, incondicionalmente, as pessoas.

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