Um Brinde – Gênesis, “Enough To Let Me Go” e a minha imperfeição


Uma música, poesias, filmes e livros são distrações muito comuns para mim, como os dias que se espalham e se entregam como redemoinho no inverno. Assim, este é um texto para falar de coisas vãs e fatos que passam desapercebidos, pois as noções e encantos do nosso cárcere sentimental enfeitam cada dia mais nosso trajeto existencial.

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente“. (Gênesis 2.7)

Apenas um sopro divino foi capaz de nos dar a vida, e a mesma terra a qual pisamos foi fonte do pó para nossa origem. No entanto, houve a queda, o pecado, e então a consequência:

Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás“. (Gênesis 3.19)

Ao pó tornaremos como átomos mortos, sem mais esperança e sem mais vida. Uma música me despertam muitas sensações. Embora não ouço apenas uma música, “Enough to Let me Go”, da banda Switchfoot traz-me melhor esta questão do que outras. Sua primeira estrofe é bem sincera:

(Tradução)
Oh!
Eu sou uma alma perambulante,
Eu ainda estou caminhando pelo caminho que me leva pra casa,
sozinho, tudo que eu sei,
É que eu ainda tenho uma montanha a subir,
Por conta própria. Por conta própria“.

A decisão de reconhecer nossos erros e entregar-se a Deus como um filho que corre para os braços de um pai é uma dádiva linda e instigante, sem quaisquer requisitos. A diferença de andar em círculos e andar procurando uma direção é uma só: a intenção. Portanto, mais que nunca aqui na Terra, para deixarmos de ser apenas pó, só existe algo que nos joga para muito longe do caos do egoísmo: Deus, a única esperança.

Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra“. (Gênesis 6.12)

O pecado corrompe e nos cega. Isso me faz lembrar uma situação: dia desses conheci dois jovens que com orgulho falavam de suas andanças pelas festas e de como tinham uma vida sexual ativa. Senti pena e estranheza ao mesmo tempo: como podem achar o pecado algo tão normal assim e ainda zombarem de quem não leva a mesma vida?

(Tradução)
Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
Para me deixar acabar com isso,
Para me deixar cair por você,
Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

A doutrina da graça me ensinou que não consigo ser bom por mim mesmo, pois tudo é pela graça! Se vos escrevo agora, é pela graça de Deus. Há algum tempo reconheci que Deus molda meu coração de forma tão delicada que as vezes até esqueço de que sou mau e fraudulento. Ele me conhece melhor que ninguém. Raramente sento com alguém para pedir um conselho, porque Deus molda-me! Por mais que minha imperfeição seja grande, Ele me faz reconhecer que tudo que eu preciso já está aqui. Ele me ama, nos ama o suficiente para nos deixar ir e sermos responsáveis por nossos atos, e, assim como o pai permite a filha sair de casa quando atinge uma certa idade para juntar-se ao seu marido, Deus nos deixa refletir e decidirmos se queremos ser artistas na Terra ou meros sobreviventes.

Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar“. (Gênesis 4.7)

Devemos controlar o pecado, mas seria hipocrisia minha falar que nunca senti vontade de ir à festas como as quais os dois jovens frequentam contaram, e sair com várias garotas diferentes. No entanto, eu sei que isso não me levaria a lugar nenhum senão a perdição, pois pecado nos cega. No Éden, o pecado abriu os olhos do homem para o conhecimento do bem e do mal, o que de fato é pior que não enxergar, pois o mal atrai e assim nos cega para o bem. Isso é um paradoxo real, e aconteceu, acontece e ainda acontecerá muito entre nós.

(Tradução)
De volta da morte do inverno
De volta da morte e todas as nossas folhas estão secas.
Você está tão linda essa noite…
(Você me ama o suficiente pra me deixar ir?)
De volta da morte que nós passamos,
De volta da morte e ambas as nossas línguas estão presas.
Você parece tão linda essa noite.
(Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

Jon Foreman canta mais a frente que “toda semente morre antes de crescer”, e morrer para o pecado é nascer para Deus. Toda essa metáfora entre os textos de Gênesis e a música do Switchfoot não é para soar como uma poesia redundante e nem para expressar o meu favoritismo pela banda, mas pra tentar traduzir um pouco de minha vivência de forma bíblica. Nunca seremos bons o bastante, eu nunca serei bom o bastante. E, consequentemente, não há sequer um que seja bom (Salmos 14.3). O sentimento de culpa não nos torna inocentes, apenas deixa a máscara desmanchar sem cores, deixando a verdade do “tudo é vaidade” reinar como vilã em nós.

(Tradução)
Inspire
E deixe isso passar.
Toda respiração que você toma não é propriamente sua.
Não é sua espera…
Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

Nem o ar que respiramos é propriamente nosso! Ainda duvida que vivemos pela graça e nada que fazemos ou porventura venhamos fazer pode mudar isso? Quanto vale sua vida? Você seria capaz de abandoná-la para encontrar em Deus o seu lugar? Isso só é possível quando amamos a Deus sobre todas as coisas! Somos estrangeiros em terras perigosas e frias, por isso, não há muito tempo para ficar rodando e correndo feito louco. A decisão é sua, é minha, é nossa. Mas lembre-se: é pela graça de Deus. Se você O escolheu é porque Ele te escolheu primeiro! Um brinde!

https://www.youtube.com/watch?v=14BnBwfER8M

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