Um Brinde – “Primeiro Andar”


Andamos em círculos, muitas vezes sem saber ao certo para onde ir, buscando o que nem sabemos que queremos. “Eu preciso andar, um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou” – Rodrigo Amarante. É nesse sentido que as coisas caminham: nem sabemos quem de fato somos e já queremos mais e mais. Humanismo capitalista. Sabe, eu aprendo muito com a minha rotina. Não deixo nunca que ela se torne fadigante e chata. Tento dar sempre um extra para que os dias não sejam todos iguais. A rotina por si só não é chata, o chato são os dias repetidos. Eu escolhi andar. Acredito que só esperamos o que temos um certo grau de certeza. Deus não me prometeu nada terreno a qual tenha um prazo que preciso esperar a não ser Sua volta. E se esperar é caminhar, eu decido andar. “E o que eu vou ver? Eu sei lá“. Repito: andamos em círculos. Reforço essa tese citando como é complicado lidar com as pessoas. Tenho uma imensa dificuldade em fazer amizades. Não sei como me comportar e resumindo, não sei lidar. Ando em círculos porque tudo acaba do mesmo jeito que começou: no nada. Éramos pó e por um toque divino fomos moldado e hoje somos isso: imagem e semelhança do Criador.

A repreensão que há em nós é quantitativa. Somos meros mortais em busca da perfeição. Do alimento para o ego. Com correções e limitações chegamos ao pódio criado por nós mesmos, onde não há vencedores pois os únicos competidores somos nós próprios. Não existe vencedores numa luta contra si, apenas morte de ego. Um ego vivo é ameaça constante, um ego morto é prêmio diário. E prêmio por prêmio é nulo. Nada vale se perdermos a própria vida (Mc 8:36). O que se segue no aprendizado da rotina é reconhecer-se, saber nossos limites e virtudes. Lembro de que uma vez pedi ao amigo Tiago Abreu para que me cedesse uma de suas letras para gravar em meu EP. Ele me passou algumas, mas uma me chamou muito atenção mais que as outras. Uma música chamada “Onde?”, na qual tive o prazer de harmonizar e arranjar com o meu amigo Jussan Mendonça. Uma parte da canção diz “um objetivo é meu troféu, empoeirado na estante e nesse instante, vívido mas distante“. Depois, em uma conversa singela com ele, entendi um pouco do sentimento da música e percebo mais uma vez que de fato somos moinhos de vento, estilhaçados afim de encontrar o nosso lugar. Poderia citar mais uma penca de músicas que se relacionam com o que trato aqui nesse texto, mas ficaria chato demais, até porque o título leva o nome de uma música do Los Hermanos de seu último álbum de estúdio, o simplista 4, composição do guitarrista e um dos vocais da banda na época, Rodrigo Amarante. O que aprendo com ela? Que andamos em círculos para nos descobrirmos. Andamos pela rotina para sair dela. Escolhemos esperar para recebermos algo. Escolhemos andar para alcançarmos o nosso ser. Descobrir o que se quer sem ter noção do que se espera. Um brinde a nossa trajetória!

Imagem: Filipe Soares Dilly (com licença creative commons)

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